Formação de Analistas

A formação do analista, como entendemos, é ininterrupta. Exige um tripé  mínimo de sustentação: análise pessoal, aprofundamento teórico e exposição permanente de sua prática e pensamento.

A ALCEP é uma instituição que orienta sua prática a partir de Freud e Lacan e segue adiante sustentada pela via pulsional.  É também um Lugar, desde onde se mantém a escuta necessária para uma formação permanente.

Uma Análise deve ser didática, um aprendizado. Pilar fundamental, é fazer uma escolha de formação desde uma orientação que se guia pelo desejo reconhecido e assumido. Manter-se em análise é estar cada vez mais próximo do entendimento dos destinos dados pelo inconsciente, e fazer-se agir a partir desta altura, é recuperar a cada vez, uma potência que nos dê condições de operar com essa força vital, não mais sendo um sujeito apenas conduzido por forças ocultas.

Assim, um grau maior de lucidez e vitalidade diante do mundo são possíveis  de se obter no processo de formação e é exigência ética fazer chegar aí qualquer um que se pretenda analista.

“... Isto só é, até o presente, abordável, no nível do analista, na medida em que seria exigido dele ter precisamente atravessado em sua totalidade o ciclo da experiência analítica”

- Jacques Lacan

O exercício clínico da análise e a escolha ética pela Sublimação:

A transmissão do conhecimento em psicanálise é possível se considerarmos que a teoria embasa o que há de extrapessoal e encontrará sentido no singular de cada Um. Não se pode renunciar ao Saber sem correr o risco de perder a condição de escolha e portanto, de existência.

É na Exposição dos atos analíticos, permanente exercício ético de uma formação, que se faz a sustentabilidade de um pensamento que corre sempre o risco, ao recuar de seu exercício, de ser capturado por forças reativas recalcantes que entendemos serem predominantes do mundo.

A exposição é a atividade que garante o rigor de um pensamento que seja movido pelo abstrato, e não por regras de formação de uma escola padronizada, e que ao mesmo tempo exige a lida com o real, entendendo que este embora "simples" se apresenta de forma tão refinada que só um percurso analítico pode sustentar. Há uma precisão na condução, sem a qual não atinge-se o modo pulsional necessário para uma clínica que se pretenda psicanalítica. Trata-se de de um exercício que amplia a possibilidade do desejo do analista de permanecer onde deve estar, num sentido contrário ao da identificação.

A ALCEP é um espaço que pressupõe atuação em uma Clínica Geral, desenvolvendo projetos de interação com diversos eixos da cultura, arte, educação, filosofia e das organizações. O que está em jogo nesta clínica geral é a pulsão como medida de nossa relação com o inconsciente, com a verdade, com o vivo.

“Acontece de ser este vivo uma determinação constante, e se de alguma forma ele resulta, do método psicanalítico aplicado, que ao seu tempo o provoca, o convoca, isto se dá legitimamente na medida em que o método guarda uma aliança essencial com a vida – isto é, com a pulsão- e sua ética originária. A partir daí, essa ética encontra no método seu meio de afirmação, sua precisão. A psicanálise, não é uma ciência do “ homem psicanalítico”, mas da vida, tal como ela se diferencia, se aprofunda e se abisma nas condições de experiência do homem. E não, é claro, do homem em geral, mas de cada um, conquanto o destino de um possa interessar ao destino de todos.”

João Perci Schiavon – Pragmatismo Pulsional